BALMALLA, HISN AL-RABITA PALMELA, UM CASTELO NA ARRÁBIDA

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Torre de Roca
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  • Nº de Inventário: 1997.01.500
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Instrumentos e Utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Alt: 6,5, Larg: 2,5,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Torre de roca incompleta de formato cilíndrico, obtida a partir de um osso longo talhado e polido. Exemplar com profusa decoração incisa, composta por círculos, acentuados por um ponto central. Surgem intercaladas por séries de linhas horizontais concêntricas, igualmente incisas, que formam pequenas molduras, que enquadram combinações variadas, ora lisas, ora preenchidas por bandas de círculos, em que oscilam os diâmetros e disposição.
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Cantil
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  • Nº de Inventário: 2003.01.505
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Técnica: Fabrico: Mista: modelagem, torno e manual Decoração: pintura a vermelho
  • Dimensões: Alt: 34, Larg: 23,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Cantil de pasta bege, bem depurada, com duas asas verticais de secção oval. O bordo é extrovertido e o lábio arredondado. O bocal do gargalo é circular e não está centrado com o eixo vertical do recipiente. O corpo da peça tem forma tendencialmente cilíndrica, bem enquadrada por uma moldura em relevo, que acompanha o contorno integral da peça. No interior desta moldura, observam-se caneluras paralelas, em toda a largura. O recipiente apresenta-se decorado com motivos geométricos, pintados a vermelho escuro, aplicados no anverso e reverso do corpo.
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Fivela
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  • Nº de Inventário: 2003.01.507
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Adereços (e objectos de adorno)
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Comp: máximo:4, Alt: 3.1,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Peça de bronze trabalhado e banhado a ouro, correspondente a uma fivela de cinturão. A peça é constituída por duas chapas presas entre si com quatro furos onde se conservam dois rebites de cabeça semi-cónica. A chapa superior apresenta moldura com linha fina que contorna os quatro furos separados por duplas linhas incisas, ao lado verifica-se a continuação da linha que serve de contorno (moldura) à representação zoomórfica (animal alado?) que é recortada e moldada em relevo na chapa. A chapa posterior é fina e lisa e de onde saí a continuação da chapa que contornava o eixo (apenas se conserva um).
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Martelo
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  • Nº de Inventário: 2003.01.563
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Equipamentos e utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Comp: 9.8, Alt: , Larg: 1,9,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Martelo de orelhas em ferro. Apresenta um olhal circular ao centro para fixar um cabo e dois lados com funções complementares: num dos lados têm a cabeça do martelo com a função de martelagem e no lado oposto apresenta uma extremidade fendida para arrancar pregos e cravos. Peça incompleta falta-lhe uma das orelhas.
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Colherim
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  • Nº de Inventário: 2003.01.564
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Equipamentos e utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Comp: 15,2, Larg: 6,1,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Colherim em ferro de concha larga, com cabo secção circular curto ligeiramente arqueado.
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Insígnia da Ordem de Santiago
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  • Nº de Inventário: 1997.01.594
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Adereços (e objectos de adorno)
  • Autor: Desconhecido
  • Técnica: Execução a molde
  • Dimensões: Alt: 4,8, Larg: 4,3,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: A insígnia em forma de uma vieira, com as extremidades superiores perfuradas. No anverso, centrada sobre os veios radiados da concha, aplicou-se uma espada. Ambos os elementos são parte da iconografia da Ordem de Santiago. É emoldurada por duas fiadas de perolado, entre as quais se define o campo epigráfico. No reverso reconhece-se uma provável marca do fabricante (possível arco e uma flecha). Na inscrição inserida na cercadura atrás referida, em caracteres uniciais minúsculos, lemos: S . ORDINIS : M . SCI : IACOBI S(ignum). Ordinis : M(ilicie) S(an)(t)i : Iacobi
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Púcaro
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  • Nº de Inventário: 2003.01.615
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Alt: 8,5,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Púcaro completo, em cerâmica. Bordo boleado; colo cilíndrico ligeiramente extrovertido, que termina com pequeno sulco exciso; corpo globular ligeiramente achatado, uma asa de secção oval; fundo de bolacha com uma pequena depressão/deformação. As superfícies apresentam aguada de cor laranja tom escuro.
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Pente
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  • Nº de Inventário: 2003.01.635
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Instrumentos e Utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Larg: 4,5,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Fragmento de pente em osso, forma de placa retangular com dois lados munidos de dentes finos. Faria parte dos objetos de quotidiano dos freires de Santiago.
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Taça
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  • Nº de Inventário: 2003.01.652
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Técnica: Faiança
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica
  • Descrição: Fragmento de taça faiança com pé anelar, esmaltada a branco com decoração interna a azul. No centro, representação heráldica com a cruz da ordem de Santiago. Pasta homogénea de grãos finos com e.n.p. médios (fragmentos de cerâmica? de 4 a 8 mm).
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Taça
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  • Nº de Inventário: 2003.01.782
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica.
  • Descrição: Fragmento de taça de faiança com pé anelar, esmaltada a branco com decoração interna a azul. No centro, representação heráldica com a cruz da Ordem de Santiago. Pasta homogénea de grãos finos com e.n.p. médios (fragmentos de cerâmica? de 2 mm).
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Taça
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  • Nº de Inventário: 1993.01.474
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: desconhecida
  • Dimensões: Alt: 7,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueológica.
  • Descrição: Fragmento de taça, com carena baixa, apresenta fundo com pé em anelar, bordo extrovertido com lábio semi-circular. Pasta rosada, bem depurada, com e.n.p. finos. A superfície externa revestida a vidrado de chumbo, amarelo melado, esverdeado. A superfície interna esmaltada a branco. Taça verde e manganês decorada no interior com motivo antropomórfico, representando uma figura humana de longas vestes, sentada de perfil com a mão direita elevada e o indicador apontado. A figura é rodeada por um cantil e uma jarra ou gomil. O lábio apresenta pingos de vidrado (óxido de manganês).

Apresentação

«(...) De lá, ele prosseguiu a sua rota em direcção à fortaleza de Palmela (Balmâla); os ocupantes deste lugar propuseram-lhe a rendição e pediram ao amâr o abandono do castelo, na condição de terem salvas as vidas e poderem regressar o território cristão. O soberano (...) deixou-os ir livremente (...)»

Al-Himyarî, primeiro autor muçulmano que refere o castelo de Palmela, designando-o por Hisn Balmalla.

Nenhum outro na península da Arrábida reunia as condições de vigilância que Palmela oferecia, ou se mostrava mais adequado à instalação dos senhores do poder. Os líderes Omíadas escolheram Palmela para a construção de uma robusta fortificação, nos finais do século VIII, onde fixaram a sua residência e instalaram a guarnição, numa altura de instabilidade na região e nas fronteiras a sul, entre lutas internas e frequentes ataques Vikings.

A primeira fortificação desempenhava, com os castelos de Sesimbra e de Coina-a-Velha, um papel estratégico na vigilância e defesa de toda a região interestuarina. Durante o século X, o pequeno forte rectangular recebe várias torres para reforço da estrutura defensiva. Ao longo dos séculos seguintes, o espaço entre muralhas alargou-se, introduziram-se sucessivas estruturas com valências de armazenamento, artesanais e militares, para suprimir as necessidades registadas.

Depois da conquista de Palmela, em 1147, sucederam-se agitados avanços e recuos muçulmanos e cristãos, que marcaram os séculos XII e XIII e vincaram a importância de Palmela como território de fronteira.

O Castelo de Palmela foi doado aos freires de Santiago em 1186, numa tentativa de travar as investidas almóadas que representavam uma crescente ameaça. Em 1191, Palmela é tomada pelos exércitos liderados pelo comandante Abû Ya'cub yûsuf. Nas palavras de Ibn 'Idar al-Marrakusi descreve-se a rendição dos ocupantes, a violência e a destruição desses ataques.

« saqueou-se o que havia no castelo de móveis, provisões, armas e apetrechos, e logo mandou Al-Mansûr derrubá-lo e arrasá-lo até às suas fundações.»

É durante o reinado de D. João I que se decide transferir definitivamente a sede da Ordem de Santiago para Palmela, conduzindo à construção do novo convento e da Igreja de Santiago, cujas obras ficam terminadas em 1482.

Desde então, outras obras e alterações ocorrem no castelo, sendo as mais significativas promovidas no tempo de D. Jorge, último mestre da Ordem de Santiago e filho natural do rei D. João II, com a beneficiação do convento e das duas igrejas, Santiago e Santa Maria. Já no século XX, as iniciativas da direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nas décadas de 30 a 70, realizam obras de restauro, seguindo as orientações ideológicas do Estado Novo.

Através da Arqueologia vamos conhecendo a história da ocupação e do quotidiano, dentro e fora da fortificação.

A ocupação muçulmanos deixa-nos um legado cultural de 400 anos de permanência no castelo e na vila de Palmela, a que se juntam os marcantes vestígios da Ordem de Santiago, desde os últimos anos do século XII, até à data da sua extinção em 1834.

Hoje, este monumento nacional é lugar de vivências múltiplas, recortado no horizonte entre os estuários do Tejo e do Sado, marco emblemático da paisagem da região Arrábida.

 

Ficha Técnica

Organização: Município de Palmela | Divisão de Bibliotecas e Património Cultural | Museu Municipal de Palmela

Produção: Miguel Correia | Michelle Teixeira Santos

Fotografia: Bruno Damas | Cláudia Oliveira | Miguel Correia

Projeto Gráfico: Município de Palmela | Gabinete de Comunicação