«(...) De lá, ele prosseguiu a sua rota em direcção à fortaleza de Palmela (Balmâla); os ocupantes deste lugar propuseram-lhe a rendição e pediram ao amâr o abandono do castelo, na condição de terem salvas as vidas e poderem regressar o território cristão. O soberano (...) deixou-os ir livremente (...)»
Al-Himyarî, primeiro autor muçulmano que refere o castelo de Palmela, designando-o por Hisn Balmalla.
Nenhum outro na península da Arrábida reunia as condições de vigilância que Palmela oferecia, ou se mostrava mais adequado à instalação dos senhores do poder. Os líderes Omíadas escolheram Palmela para a construção de uma robusta fortificação, nos finais do século VIII, onde fixaram a sua residência e instalaram a guarnição, numa altura de instabilidade na região e nas fronteiras a sul, entre lutas internas e frequentes ataques Vikings.
A primeira fortificação desempenhava, com os castelos de Sesimbra e de Coina-a-Velha, um papel estratégico na vigilância e defesa de toda a região interestuarina. Durante o século X, o pequeno forte rectangular recebe várias torres para reforço da estrutura defensiva. Ao longo dos séculos seguintes, o espaço entre muralhas alargou-se, introduziram-se sucessivas estruturas com valências de armazenamento, artesanais e militares, para suprimir as necessidades registadas.
Depois da conquista de Palmela, em 1147, sucederam-se agitados avanços e recuos muçulmanos e cristãos, que marcaram os séculos XII e XIII e vincaram a importância de Palmela como território de fronteira.
O Castelo de Palmela foi doado aos freires de Santiago em 1186, numa tentativa de travar as investidas almóadas que representavam uma crescente ameaça. Em 1191, Palmela é tomada pelos exércitos liderados pelo comandante Abû Ya'cub yûsuf. Nas palavras de Ibn 'Idar al-Marrakusi descreve-se a rendição dos ocupantes, a violência e a destruição desses ataques.
« saqueou-se o que havia no castelo de móveis, provisões, armas e apetrechos, e logo mandou Al-Mansûr derrubá-lo e arrasá-lo até às suas fundações.»
É durante o reinado de D. João I que se decide transferir definitivamente a sede da Ordem de Santiago para Palmela, conduzindo à construção do novo convento e da Igreja de Santiago, cujas obras ficam terminadas em 1482.
Desde então, outras obras e alterações ocorrem no castelo, sendo as mais significativas promovidas no tempo de D. Jorge, último mestre da Ordem de Santiago e filho natural do rei D. João II, com a beneficiação do convento e das duas igrejas, Santiago e Santa Maria. Já no século XX, as iniciativas da direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, nas décadas de 30 a 70, realizam obras de restauro, seguindo as orientações ideológicas do Estado Novo.
Através da Arqueologia vamos conhecendo a história da ocupação e do quotidiano, dentro e fora da fortificação.
A ocupação muçulmanos deixa-nos um legado cultural de 400 anos de permanência no castelo e na vila de Palmela, a que se juntam os marcantes vestígios da Ordem de Santiago, desde os últimos anos do século XII, até à data da sua extinção em 1834.
Hoje, este monumento nacional é lugar de vivências múltiplas, recortado no horizonte entre os estuários do Tejo e do Sado, marco emblemático da paisagem da região Arrábida.
Organização: Município de Palmela | Divisão de Bibliotecas e Património Cultural | Museu Municipal de Palmela
Produção: Miguel Correia | Michelle Teixeira Santos
Fotografia: Bruno Damas | Cláudia Oliveira | Miguel Correia
Projeto Gráfico: Município de Palmela | Gabinete de Comunicação