80 Anos de Iluminação Pública Elétrica. Palmela 1938. " Finalmente, a luz!"

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Candil
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  • Nº de Inventário: 1993.01.04
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Técnica: Fabrico: Torno
  • Dimensões: Alt: 7 (máxima),
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação arqueológica.
  • Descrição: Reservatório, fragmento de asa e do canal de alimentação de Candil em bico de pato. Pastas grosseiras, de cor negra. Superfícies alisadas, de cor castanha, com bastantes manchas negras (contacto direto com fogo). Reservatório circular. Asa de rolo.
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Candeia
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  • Nº de Inventário: 1988.01.41
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Cerâmica
  • Autor: Desconhecido
  • Técnica: Fabrico: Torno
  • Dimensões: Alt: 3,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação arqueológica.
  • Descrição: Peça restaurada. Pasta homogénea, acastanhada. Superfícies alisadas, de cor avermelhada. De forma trilobada, apresenta sinais de enegrecimento no bico. Peça restaurada.
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Lanterna
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  • Nº de Inventário: 2010.04.D102/2
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Artes e Ofícios
  • Dimensões: Alt: 33, Larg: 9 (caixa de luz),
  • Incorporação: Em depósito, por um período de 25 anos, cedido pela família à Câmara Municipal de Palmela
  • Descrição: Caixa de luz quadrangular com três óculos com vidro, um deles vermelho e os dois outros brancos. No cimo da caixa tem uma chaminé e, por baixo, um braço cilíndrico destinado a aplicação por encaixe na carroça.
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Máquina doseadora de petróleo
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  • Nº de Inventário: 2011.04.881
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Comércio
  • Autor: OAMIS Metalúrgica técnica de precisão
  • Dimensões: Alt: 71, Larg: 27,
  • Incorporação: Doação de Maria Sabina Miranda (viúva do anterior proprietário)
  • Descrição: Máquina manual, constituída por um corpo central cilíndrico (recipiente) onde é colocado o petróleo que será doseado. o recipiente está dotado de uma manivela de metal, com cabo castanho de madeira. No lado oposto, encontra-se uma torneira de metal por onde sai o líquido. Sobre o recipiente há um visor de formato retangular, com informação das medidas (em litro) por meio de uma régua, que indica a capacidade máxima de 1 litro. A base, de cerâmica cilíndrica branca, afunila no topo. Tem no seu interior um torno através do qual era fixada à bancada do estabelecimento.
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Espevitador
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  • Nº de Inventário: 2004.01.1081
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Arqueologia
  • Categoria: Instrumentos e Utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Comp: 6,3, Alt: , Larg: 1,1,
  • Incorporação: Mandato legal. Escavação Arqueologica.
  • Descrição: Espevitador de candil utensílio de metal de pequenas dimensões, utilizado para controlar a mecha, visando regular a intensidade da luz. Este exemplar apresenta formato triangular ponta aguçada, com pequenas linhas incisas e furações no total de 4 e cabo retangular "dentado" lateralmente.
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Tenaz
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  • Nº de Inventário: 2012.04.1538
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ciência e Técnica
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Alt: 28, Larg: 4,
  • Incorporação: Doação à C.M.P pelos herdeiros de Aldonsa Margarida Abelho Franco
  • Descrição: Tenaz em ferro, para frisar o cabelo (?), composta por duas hastes unidas através de eixo que permite a mobilidade. Os cabos são de secção cilíndrica e as lâminas terminam em ponta.
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Agulha
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  • Nº de Inventário: 2012.04.1506
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ciência e Técnica
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Comp: agulha: 12,5 | 22,2 (com cabo),
  • Incorporação: Doação à C.M.P pelos herdeiros de Aldonsa Margarida Abelho Franco
  • Descrição: Haste cilíndrica para apoiar o acto de enrolar o cabelo nos bigoudis. Tem cabo plástico, de cor verde.
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Chaufeurs (44 unidades)
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  • Nº de Inventário: 2012.04.1512
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ciência e Técnica
  • Autor: Desconhecido
  • Incorporação: Doação à C.M.P pelos herdeiros de Aldonsa Margarida Abelho Franco
  • Descrição: Molas «chaufeurs» colocadas no aparelho a petróleo para aquecimento e aplicação sobre os bigoudis. 25 deles encontram-se danificados.
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Candeia
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  • Nº de Inventário: 2012.03.1591
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Ciência e Técnica
  • Categoria: Uso e consumo doméstico e/ou administrativo
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Alt: 32,5 cm, Larg: 13 cm,
  • Descrição: Candeia móvel de iluminação de uso doméstico. Tem chaminé em vidro. O modelo da Casa Hipólito - N.º 24 usava exclusivamente querosene, combustível conhecido por petróleo de iluminação de uso doméstico. De fabrico nacional, o exemplar apresenta a inscrição “Fabricado em Portugal”, associada ao símbolo da marca empresarial, o cavalo-marinho.
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Ferro de engomar
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  • Nº de Inventário: 2012.04.1592
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Equipamentos e utensílios
  • Autor: Desconhecido
  • Dimensões: Alt: 20, Larg: 11,
  • Descrição: Ferro de engomar roupa, a carvão. Peça doméstica, em ferro com alça em madeira pintada na cor vermelha. Ostenta a marca empresarial cravada com o símbolo da Fundição Albergariense, Metalúrgica de Albergaria-a-Velha [1929.2014].
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Aparelho de permanente de cabelo
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  • Nº de Inventário: 2012.04.1522
  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Ciência e Técnica
  • Autor: desconhecida
  • Dimensões: Alt: 20,
  • Incorporação: Doação da Família da proprietária do Salão de cabeleireira MIMI, Aldonsa Margarida Abelho Franco, respetivamente: António Jacob Abelho Franco, Joaquim Jacob Abelho Franco, e Maria José Jacob Abelho Franco marques Saraiva.
  • Descrição: Aparelho de ondulação permanente (a quente) do cabelo. O modelo, dos primórdios da ondulação permanente do cabelo (início do século XX), é constituído por uma base sólida em ferro. Em forma circular, a base, que acopla à fonte de calor (aquecida a petróleo), apoia-se em 14 espigões, cilíndricos em ferro. Na parte superior, apresenta outros 14 espigões onde se encaixam as chauffages para aquecimento.

Apresentação

Palmela, através do Museu Municipal, associa-se às iniciativas do Ano Europeu

do Património Cultural, ao desvendar mais uma marca da sua história local:

80 anos da iluminação elétrica.

Para tal, recorremos a marcas no território, a objetos mas – sobretudo – à Memória

das pessoas que viveram intensamente, no seu dia-a-dia, estas transformações

da escuridão à Luz.

Instrumento de progresso, a eletricidade foi a infraestrutura mais importante

do século XX, e iniciou um novo tempo: a era da eletricidade, embora com

importantes mutações.

Lembramos a grande mudança ocorrida no setor das energias quando, há dois

séculos, uma inovação científica e tecnológica revolucionou por completo a

sociedade industrial, com a alteração de paradigma energético, associado à era

da eletricidade. Importa lembrar as ameaças ambientais ligadas a este processo,

e a forma como a sociedade se apropriou da novidade, e observar como hoje nos

relacionamos com a mesma.

É esse legado de conhecimento que aqui se convoca: 150 anos de serviço e obra

pública elétrica no concelho que colocou Palmela na via da modernidade.

Um longo caminho foi percorrido até que a infraestrutura elétrica em Portugal se

consolidasse, ao longo do século XX, rompendo radicalmente de paradigma vigente.

A eletricidade operou uma mudança profunda na sociedade e uma alteração das

mentalidades, e cedo se impôs nos diversos domínios, quer no desenvolvimento

da produção industrial e no consumo de novidades tecnológicas, quer na iluminação

pública.

Embora esta tenha constituído, desde a segunda metade de Oitocentos, uma

prioridade dos poderes públicos, e subsistam no concelho vestígios documentais

dessa natureza - havendo também notícia do uso e produção de energia elétrica

antes da sua inauguração -, só cerca de uma década após a recuperação da

autonomia administrativa, Palmela inaugurou a iluminação elétrica, necessariamente

limitada e problemática nos primeiros tempos.

A restauração do Concelho, em 1926, fez da iluminação pública

uma prioridade e um desígnio, que levou à criação do pelouro da iluminação

– entenda-se iluminação a petróleo! – atribuído a Agostinho Augusto Pereira, e que

entusiasmou o presidente da Comissão Administrativa, Joaquim José de Carvalho,

a diligenciar, em 1928, os contactos privilegiados com a Companhia das Minas da

Borralha, reconhecendo-lhe a «competência e baixo custo do projecto de montagem

e iluminação eléctrica apresentado para a Vila».

Mas, como se veio a verificar, o entusiasmo precoce teve de aguardar melhor

oportunidade.

Os tempos eram conturbados e, depressa, chegaram dias ainda mais negros,

resultantes da crise política e agrícola e da falta de trabalho sentida no concelho,

crescendo os grupos de classes trabalhadoras de «algibeiras vazias e cansadas,

mendigando o trabalho e o pão».

Ainda em Ditadura, e no contexto da movimentação política de 1930, os poderes

públicos e os proprietários industriais mobilizaram-se em torno da Exposição

Regional do Distrito que anunciou, em Setúbal, a inauguração da infraestrutura

e a iluminação elétrica da cidade.

Todos ansiavam pela luz elétrica, infraestrutura que Palmela teve de aguardar,

juntamente com outros concelhos do distrito, pois, à data, apenas Moita e o Barreiro

eram servidos por linhas de alta tensão.

Pelo caminho, foi criada a Junta de Eletrificação Nacional, em 1936, e só,

decorridos dois anos, depois de aprovadas as concessões pelo regime, Palmela

entrou na era da eletricidade.

Tinham decorrido 62 anos da inauguração da iluminação pública a petróleo,

quando Palmela realinhou o seu rumo «em prol da riqueza e [do] progresso local».

Na noite de 24 de abril de 1938, os céus pintaram-se de luz em Palmela e Quinta

do Anjo.

Era a «mais que esperada inauguração da luz eléctrica, antiga aspiração do povo

do concelho de Palmela. À noite, pelas 20h30, foi então inaugurado o dispositivo

de luz eléctrica que «encheu de brilho e cor a nobre vila».

Fechando o ciclo inaugural, a comitiva oficial, liderada por Venâncio da Costa Lima

(presidente da comissão administrativa), dirigiu-se a Quinta do Anjo – sua terra

natal –,

a fim de participar, pelas 22h30, nas cerimónias de inauguração da Casa

do Povo e da luz elétrica.

Todo o programa de festejos foi acompanhado por repórteres e fotógrafos e recebeu

grande destaque na imprensa regional, merecendo louvores e títulos de primeira

página.

 

Ficha Técnica

Organização: Município de Palmela | Divisão de Cultura, Desporto e Juventude| Museu Municipal

Produção: Maria Leonor Campos

Fotografia: Adelino Chapa, Américo Ribeiro, Bruno Damas, Paulo Alexandre, Pedro Soares

Projeto Gráfico: Jorge Ferreira