Descrição: Instalado no piso térreo do edifício de passageiros (EP) da antiga Estação ferroviária de Pinhal Novo, o Museu - A Estação constitui um dos polos do Museu Municipal de Palmela, aberto em 2021. Aqui se faz um circuito pela evolução tecnológica dos caminhos de ferro, pelos azulejos representativos do distrito de Setúbal, por histórias de vida de antigos ferroviários locais e pela história da vila.
Este desativado EP data de 1935 e é da autoria do arquiteto Fernando Perfeito de Magalhães e Menezes de Villas-Boas (1880-1958), projetista de outros edifícios ferroviários, de que é exemplo a Estação de Santarém, e funcionário do Serviço de Via e Obras da C.P..
No centro das fachadas norte e sul, apresentam-se três portas de remate redondo, sendo os demais vãos retangulares. Os contornos dos vãos das fachadas e o soco apresentam revestimento com cantaria. No alçado norte, o corpo central termina com um beirado encimado por duas pinhas de calcário e, abaixo do beirado, lê-se o topónimo PINHAL NOVO em azulejo (fundo branco e moldura e texto em azul). Os beirados da fachada sul, com suportes em madeira, lembram a «casa portuguesa»; sob eles, a antiga gare apresenta um alpendre de estrutura metálica, apoiada em colunas de ferro fundido, de fuste canelado, originais. Também ao centro deste pano murário se repete o topónimo azulejar, tal como acontece nos alçados nascente e poente.
No edifício, merecem realce os 25 painéis de azulejos, assinados e datados de 1938, que revestem o pano murário entre vãos, do piso térreo, acima dos socos em cantaria, nas quatro fachadas; foram produzidos na Fábrica de Cerâmica Constância (Lisboa) ou Faiança Battistini de Maria de Portugal, e são da autoria dos pintores Francisco Branco Pinto (cercaduras com inspiração em folhas de acanto) e João Rosa Rodrigues (imagens centrais). Alguns azulejos tiveram por base as fotografias de Manuel Giraldes da Silva (1898-1974), e ilustram a região da Arrábida, com vistas de Rio Frio, Palmela, Setúbal e Sesimbra, com a representação de paisagens, monumentos, pesca, atividade salineira e práticas agro-pecuárias.
No âmbito da campanha de obras que decorreu da eletrificação da via, o interior do imóvel foi muito alterado: desapareceram as antigas bilheteiras e o átrio de espera de passageiros, tal como os azulejos de revestimento dessa zona, os quais eram «cópias de padrões seiscentistas de "camélias" e "quadrilobos"» (CALADO, 2001). Azulejos idênticos conservam-se ainda na sala de despacho da desativada estação de Santiago do Cacém.
Também os bancos cobertos existentes em Pinhal Novo, entre vias, foram demolidos nessa altura, desaparecendo assim os azulejos de "figura avulsa" de inspiração setecentista que os decoravam. Ainda nessa campanha de obras, foi eliminado o jardim da estação que desde a década de 40 do século XX recebeu diversos prémios nos concursos das Estações Floridas e das Estações Bem Cuidadas.
Em 2004, na antiga zona de espera foram aplicados dois painéis de azulejos, com imagens da zona ferroviária norte de Portugal, da autoria de Cecília Silva, hoje preservados mas encobertos pela exposição do museu.
As estações ferroviárias são infraestruturas de transporte constituídas por várias áreas funcionais necessárias ao desenvolvimento de ações de gestão de passageiros e mercadorias e do material circulante. Além dos EP, aos quais se chama vulgarmente ‘estação’, há outros equipamentos fixos que integram as estações como, por exemplo, torres de sinalização, depósitos de água, sanitários, tomas de água onde se abasteciam as locomotivas a vapor, plataformas para passageiros, cais cobertos, cercas de cimento moldado e linhas.
No Pinhal Novo, as cercas de cimento moldado, que ainda se observam a sul do canal ferroviário, e a torre de sinalização e manobra são da autoria do arquiteto Cottinelli Telmo. A estação dispõe ainda do antigo depósito de água em betão armado, datado de 1939, indispensável para alimentação das tomas de água que ali existiram.
O novo edifício de passageiros da estação de Pinhal Novo, data 2001 e tem projeto do arquiteto João Pedro Carmo Fialho; foi construído a nascente do edifício antigo, e desenvolve-se em zona subterrânea – com acessos por escadaria e elevador às plataformas -, garantindo a circulação pedonal entre as zonas norte e sul da vila.
Bibliografia
SERRÃO, Vitor; MECO, José (2007) - Palmela Histórico-Artística. Um inventário do património artístico concelhio. Palmela: Edições Colibri/Câmara Municipal de Palmela.
CALADO, Rafael; ALMEIDA, Pedro (2001) - Aspectos azulejares na arquitectura ferroviária portuguesa, CP-Caminhos de Ferro Portugueses