Ficha de Inventário

Arca

  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Nº de Inventário: 2005.04.135
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Casa Caramela
  • Datação: Século 19/20
  • Dimensões (cm): Comp. 100 x Alt. 52 x Larg. 51 x Prof. 37,5
  • Descrição: Arca de madeira retangular, com recetáculo fechado por tampo semicurvo. Tampo articulado com duas dobradiças interiores. À frente, dois ferrolhos em forma de lágrima - o do lado esquerdo está partido - que vão apoiar em fechaduras com espelhos retangulares. A fechadura do lado direito tem um conjunto composto por duas chaves, presas entre si, por meio de corda de sisal. Forrada com serapilheira, à qual é colada folha de jornal e posteriormente papel ilustrado de motivo misto: floral e geométrico, em diferentes tons de azul, verde e roxo. Atrás, papel de motivos florais, de tom roxo com risca de múltiplas lágrimas verdes. À frente, duas travessas horizontais em todo o comprimento da arca, pintadas de cor laranja. Atrás, duas travessas. No tampo, cinco travessas semicurvas, de largura variável, sendo a central a mais larga. Presas à arca por meio de juntas de ferro, em forma de coroas. Duas gualdras laterais. Os perfis são forrados, por meio de pregos, a ferro fundido, de cor dourada. A caixa está forrada a papel ilustrado com aves, de tom azul. Quatro cantoneiras de madeira unem, pelo interior, as diferentes partes da arca e sustentam o fundo falso.
  • Origem/Historial: As jovens solteiras guardavam o enxoval nestas arcas, que depois as acompanhavam para a sua nova morada após o matrimónio. Encontrámo-la com vestuário da antiga proprietária. Paralelamente, tinha ainda a função estética de embelezar a habitação - habitualmente mobilava a sala (duas ou três, distribuídas pelo espaço - junto aos cantos ou centradas nas paredes). No âmbito da pesquisa sobre arquitectura rural, com características caramelas, foi possível visitar este conjunto de habitações, parcialmente mobiladas, em mau estado. O receio de que não persistisse ao Inverno seguinte levou a que as peças fossem doadas ao Museu, pelo proprietário, que apenas utilizava a "Casa do Forno" para confeccionar o almoço, estando as restantes divisões desabitadas [2 quartos, sala do meio, cozinha, adega, casa do mel. Existia ainda, no outro extremo, casa dos animais e antiga casa da malta (onde os trabalhadores tomavam as refeições)].
  • Incorporação: António Piçarra doou a coleção, em nome da antiga proprietária: Maria de Jesus (1910 - 1995), sua tia materna. Incorporação no âmbito da investigação sobre «Casa Caramela».

Bibliografia

  • ANDRADE, Paula Maria Cruz (2006) - Pinhal Novo: movimentos migratórios dos “caramelos”, povoamento e construção de uma identidade cultural. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Dissertação de Mestrado em Estudos Portugueses – Culturas Regionais Portuguesas
  • CABRITA, José António (1998) - Entre a gândara e a terra galega. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 2
  • CABRITA, José António (1999) - José Maria dos Santos. E antes de grande agricultor?. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos n.º 3
  • CABRITA, José António; SOUSA, Aníbal (2006) - Rio Frio, retrato de uma grande casa agrícola. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 8
  • DIAS, Mário Balseiro (2000) - Círios de Caramelos, Colecção Origens e Destinos, n.º 4, Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo
  • FARINHA, Tiago, et all. – As Casas Caramelas. Arquitectura e História da Construção. Junho, 2004
  • FORTUNA, António Matos (1930-2008) – Memórias da Agricultura e Ruralidade do Concelho de Palmela. Palmela: Câmara Municipal, 1997
  • RIBEIRO, Orlando; LISBOA, J. Ribeiro (1998) – As transformações do povoamento e das culturas na área de Pinhal Novo. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 1
  • SAMPAIO, Teresa - «Memórias do habitar – Arquitectura e Vivência Caramela», in +Museu,n.º(s) 4 e 5, 2005. Boletim do Museu Municipal de Palmela
  • SAMPAIO, Teresa – A apropriação do apelativo Caramelo na Construção Identitária do Pinhal Novo. Lisboa: ISCTE, 2009. Tese de mestrado. Disponível em: https://repositorio.iscteiul.pt/handle/10071/1467
  • SOUSA, Aníbal de (1988) - «Pinhal Novo - um breve retrato», in História de Palmela ou Palmela na História. Palmela: Câmara Municipal, p. 169 - 183

Exposições

  • Memórias do Habitar - Arquitectura Caramela

    • Biblioteca Municipal de Pinhal Novo
    • 7/6/2005 a 2/7/2005
    • Exposição Física
  • Memórias do Habitar - Arquitectura Caramela

    • Biblioteca Municipal de Palmela
    • Exposição Física

Multimédia

  • _MG_9261.jpg

    Imagem
  • _MG_9266.jpg

    Imagem
  • _MG_9265.jpg

    Imagem