Dimensões (cm): Comp. 100 x Alt. 52 x Larg. 51 x Prof. 37,5
Descrição: Arca de madeira retangular, com recetáculo fechado por tampo semicurvo. Tampo articulado com duas dobradiças interiores. À frente, dois ferrolhos em forma de lágrima - o do lado esquerdo está partido - que vão apoiar em fechaduras com espelhos retangulares. A fechadura do lado direito tem um conjunto composto por duas chaves, presas entre si, por meio de corda de sisal. Forrada com serapilheira, à qual é colada folha de jornal e posteriormente papel ilustrado de motivo misto: floral e geométrico, em diferentes tons de azul, verde e roxo. Atrás, papel de motivos florais, de tom roxo com risca de múltiplas lágrimas verdes. À frente, duas travessas horizontais em todo o comprimento da arca, pintadas de cor laranja. Atrás, duas travessas. No tampo, cinco travessas semicurvas, de largura variável, sendo a central a mais larga. Presas à arca por meio de juntas de ferro, em forma de coroas. Duas gualdras laterais. Os perfis são forrados, por meio de pregos, a ferro fundido, de cor dourada. A caixa está forrada a papel ilustrado com aves, de tom azul. Quatro cantoneiras de madeira unem, pelo interior, as diferentes partes da arca e sustentam o fundo falso.
Origem/Historial: As jovens solteiras guardavam o enxoval nestas arcas, que depois as acompanhavam para a sua nova morada após o matrimónio. Encontrámo-la com vestuário da antiga proprietária. Paralelamente, tinha ainda a função estética de embelezar a habitação - habitualmente mobilava a sala (duas ou três, distribuídas pelo espaço - junto aos cantos ou centradas nas paredes).
No âmbito da pesquisa sobre arquitectura rural, com características caramelas, foi possível visitar este conjunto de habitações, parcialmente mobiladas, em mau estado. O receio de que não persistisse ao Inverno seguinte levou a que as peças fossem doadas ao Museu, pelo proprietário, que apenas utilizava a "Casa do Forno" para confeccionar o almoço, estando as restantes divisões desabitadas [2 quartos, sala do meio, cozinha, adega, casa do mel. Existia ainda, no outro extremo, casa dos animais e antiga casa da malta (onde os trabalhadores tomavam as refeições)].
Incorporação: António Piçarra doou a coleção, em nome da antiga proprietária: Maria de Jesus (1910 - 1995), sua tia materna.
Incorporação no âmbito da investigação sobre «Casa Caramela».
Bibliografia
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