Ficha de Inventário

Arca

  • Museu: Museu Municipal de Palmela
  • Nº de Inventário: 2005.04.134
  • Super Categoria: Etnologia
  • Categoria: Casa Caramela
  • Datação: Século 19/20
  • Dimensões (cm): Comp. 99,5 x Alt. 54 x Larg. 49 x Prof. 35
  • Descrição: Arca de madeira retangular, com recetáculo fechado por tampo semicurvo. Tampo articulado com duas dobradiças interiores. À frente, dois ferrolhos a lembrar pétalas, que vão apoiar em fechaduras com espelhos retangulares, forradas com serapilheira, à qual é colada folha de jornal e posteriormente papel ilustrado de motivos florais, com base de listas, bolas e pontos. Atrás, papel de motivos florais de tons azul escuro, verde, rosa e lilás. Inscrição no papel: Trade Mark. English Made. R.ª 706902. À frente, duas travessas horizontais em todo o comprimento da arca, pintadas de cor de vinho, com motivos de ondas. Atrás, uma travessa. No tampo, cinco travessas semicurvas, de largura variável, sendo a central a mais larga. Duas gualdras laterais. Os perfis são forrados, por meio de pregos, a ferro fundido, ainda com vestígios de cor verde. A caixa está forrada a papel de motivos florais, de tom azul. Quatro cantoneiras de madeira unem, pelo interior, as diferentes partes da arca. No lado direito uma fita de tecido, branca, com uma lista central azul, presa à madeira por pequenos pregos, com a função de suster o tampo ao corpo da arca.
  • Origem/Historial: As jovens solteiras guardavam o enxoval nestas arcas, que depois as acompanhavam para a sua nova morada após o matrimónio. Encontrámo-la com vestuário da antiga proprietária. Paralelamente, tinha ainda a função estética de embelezar a habitação - habitualmente mobilava a sala (duas ou três, distribuídas pelo espaço - junto aos cantos ou no centro das paredes). No âmbito da pesquisa sobre arquitectura rural, com características caramelas, foi possível visitar este conjunto de habitações, parcialmente mobiladas, em mau estado. O receio de que não persistisse ao Inverno seguinte levou a que as peças fossem doadas ao Museu, pelo proprietário, que apenas utilizava a "Casa do Forno" para confeccionar o almoço, estando as restantes divisões desabitadas [2 quartos, sala do meio, cozinha, adega, casa do mel. Existia ainda, no outro extremo, casa dos animais e antiga casa da malta (onde os trabalhadores tomavam as refeições)].
  • Incorporação: António Piçarra doou a colecção, em nome da antiga proprietária: Maria de Jesus (1910 - 1995), sua tia materna. Recolha no âmbito da investigação sobre «Casa Caramela».

Bibliografia

  • ANDRADE, Paula Maria Cruz (2006) - Pinhal Novo: movimentos migratórios dos “caramelos”, povoamento e construção de uma identidade cultural. Lisboa: Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Nova de Lisboa. Dissertação de Mestrado em Estudos Portugueses – Culturas Regionais Portuguesas
  • CABRITA, José António (1998) - Entre a gândara e a terra galega. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 2
  • CABRITA, José António (1999) - José Maria dos Santos. E antes de grande agricultor?. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos n.º 3
  • CABRITA, José António; SOUSA, Aníbal (2006) - Rio Frio, retrato de uma grande casa agrícola. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 8
  • DIAS, Mário Balseiro (2000) - Círios de Caramelos, Colecção Origens e Destinos, n.º 4, Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo
  • FARINHA, Tiago, et all. – As Casas Caramelas. Arquitectura e História da Construção. Junho, 2004
  • FORTUNA, António Matos (1930-2008) – Memórias da Agricultura e Ruralidade do Concelho de Palmela. Palmela: Câmara Municipal, 1997
  • RIBEIRO, Orlando; LISBOA, J. Ribeiro (1998) – As transformações do povoamento e das culturas na área de Pinhal Novo. Pinhal Novo: Junta de Freguesia de Pinhal Novo, Colecção Origens e Destinos, n.º 1
  • SAMPAIO, Teresa - «Memórias do habitar – Arquitectura e Vivência Caramela», in +Museu,n.º(s) 4 e 5, 2005. Boletim do Museu Municipal de Palmela
  • SAMPAIO, Teresa – A apropriação do apelativo Caramelo na Construção Identitária do Pinhal Novo. Lisboa: ISCTE, 2009. Tese de mestrado. Disponível em: https://repositorio.iscteiul.pt/handle/10071/1467
  • SOUSA, Aníbal de (1988) - «Pinhal Novo - um breve retrato», in História de Palmela ou Palmela na História. Palmela: Câmara Municipal, p. 169 - 183

Exposições

  • Memórias do Habitar - Arquitectura Caramela

    • Biblioteca Municipal de Pinhal Novo
    • 7/6/2005 a 2/7/2005
    • Exposição Física
  • Memórias do Habitar - Arquitectura Caramela

    • Biblioteca Municipal de Palmela
    • Exposição Física

Multimédia

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